Blog do Abilio Diniz

Arquivo : dezembro 2015

O ano da virada
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Abilio Diniz

2016 precisa ser o ano da virada do São Paulo. Dada a situação do clube, isso não significa necessariamente ganhar um título de expressão como a Libertadores ou o Brasileiro. Na minha opinião, significa, antes de tudo, uma resolução para a situação financeira dramática do São Paulo, resultado de anos de descuidos e desmandos. Significa também enfrentar a realidade de que, sem uma gestão profissional, dificilmente conseguiremos estar entre os primeiros do futebol mundial.

A queda do Aidar e a classificação para a Libertadores foram grandes feitos desse conturbado 2015, que me deram esperança de que as coisas podem melhorar.

Mas eu sigo muito preocupado com o São Paulo. Tenho ajudado compartilhando, quando solicitado, meus conhecimentos de gestão e também viabilizando auditorias e consultorias no clube. Elas nos darão um retrato preciso da situação financeira e um plano de profissionalização do futebol, de onde podem surgir os recursos para a virada tricolor. Sem essa arrumação, não dá para prever um futuro consistente, com vitórias e grandes conquistas.

Mas essa arrumação das contas não tem charme, não tem emoção e não traz aplausos no curto prazo. Pelo contrário, pode gerar descontentamento nos torcedores. Muitas vezes, é preciso ter coragem para tomar as decisões corretas e não apenas jogar para a plateia.

A verdade é que o SPFC não tem dinheiro para grandes contratações na temporada 2016. Por isso, com a minha experiência de gestão, acho que o objetivo principal tem que ser colocar as contas em ordem, pagar os salários em dia e iniciar um processo de profissionalização do futebol focado em meritocracia e resultado.

Claro que também tem o futebol jogado dentro de campo, começando pela Libertadores. Temos que bater nosso adversário peruano para entrar na fase de grupos. Isso é fundamental à autoestima de todos os são-paulinos, e acho que não será difícil.

A diretoria foi buscar um técnico argentino, Edgardo Bauza, e espero que ele seja capaz de trabalhar com o elenco que temos. Se não é o elenco dos sonhos, pode ser um bom time. Claro que precisa de alguns reforços que possam ser contratados com os poucos recursos que temos. E é nesse trabalho que se distinguem os grandes treinadores, capazes de tirar de um elenco médio o melhor de cada um e fazer com que o conjunto seja vencedor. Vamos torcer para que o resultado seja bom.

Vamos encarar 2016 com otimismo, torcer muito e esperar que as coisas saiam bem. Dentro e fora do campo.

Um Feliz Natal a todos e um 2016 com muita saúde e muitas conquistas.


Barcelona: Goleada dentro e fora de campo
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Abilio Diniz

O Barcelona é um time de craques. Isso é indiscutível. Mas, o que não se pode deixar de lado em uma análise mais profunda, é como essa equipe é bem treinada e como sua estrutura profissional faz diferença.

O time comandado por Luis Enrique tem claramente um padrão de jogo e, principalmente, uma cultura futebolística.

Isso é nítido. Há um conceito coletivo de jogo. E aí, se acrescentam as qualidades individuais de jogadores espetaculares como Messi, Neymar, Suarez, Iniesta e outros mais. O resultado da soma desses fatores é o que se viu na partida deste domingo contra o River Plate.

No primeiro tempo, o River ainda conseguiu segurar um pouco o Barcelona com uma marcação mais forte, mas o gol de Messi destruiu qualquer estratégia dos argentinos.

Na segunda etapa, com mais liberdade, o Barça fez o que quis, controlou o jogo e chegou aos 3 x 0 tranquilamente, com Suarez marcando duas vezes. O uruguaio terminou como artilheiro do Mundial, com cinco gols em duas partidas e melhor jogador da competição.

Foi um passeio e um exemplo a ser seguido. Disparidades financeiras à parte, o modelo vitorioso do Barcelona passa muito pela sua estrutura profissional. No futebol, assim como em outros segmentos, com amadorismo não se vai a lugar algum.

Além de poder trazer jogadores de outro nível, o Barcelona forma muitos bons atletas. São jogadores que vivem a cultura do time desde as categorias de base. Eles crescem com o jeito Barcelona de jogar. Vestem, mais do que a camisa, o estilo do clube. Quando chegam ao time profissional, estão prontos.

É uma mescla muito bem-feita entre os craques de outros países e os jogadores feitos em casa.

Para quem gosta de futebol, profissionalismo e organização, ver o resultado dentro de campo premiar um bom trabalho feito fora dele, é gratificante.


Basta!
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Abilio Diniz

O futebol brasileiro precisa mudar. É uma luta difícil, contra um poder absoluto que amarrou clubes e entidades num esquema apodrecido e corrupto.

A surra que tomamos dos alemães em nossa própria casa na Copa do Mundo deveria servir para detonar esse processo de mudança. Mas nada mudou por causa de uma estrutura fechada, inexpugnável.

Agora, o FBI está avançando contra a sujeira do futebol mundial e brasileiro, e a cúpula da CBF está na mira. Não podemos deixar passar mais essa oportunidade.

Por isso assino embaixo do manifesto que segue:

Brasil, dezembro de 2015

A Confederação Brasileira de Futebol vive a maior crise de sua história.

Seus últimos três presidentes são réus em investigação policial internacional por fraude na CBF e na FIFA. José Maria Marin está preso desde maio, Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero estão indiciados pela Justiça dos EUA desde o dia 3 de dezembro.

Compreendemos que a sucessão determinada por um estatuto viciado, que foi arquitetado e aperfeiçoado para a manutenção do poder nas mãos dessa mesma linhagem, é ilegítima e imoral.

Exigimos a renúncia definitiva de Marco Polo Del Nero e sua diretoria, seguida da convocação de eleições livres e democráticas para o comando da CBF, sem a atual cláusula de barreira, mecanismo que impede a aparição de posições independentes ao sistema vigente, pois exige oito assinaturas de federações e mais cinco de clubes para candidaturas.

A crise de corrupção é a face mais vísivel de um profundo problema estrutural, que travou o desenvolvimento do futebol brasileiro em todas as suas dimensões.

Conclamamos a Procuradoria Geral da República, a Polícia Federal e a Receita Federal a não deixar impunes quem corrompeu ou quer continuar a corromper o futebol pentacampeão mundial.

Aos clubes e federações, pedimos que se paute e vote a alteração de pontos estatutários necessários para a democratização e desenvolvimento de nossa maior paixão, inexorável e sem volta.

De nossa parte, signatários deste manifesto, acreditamos que, caso as mudanças sejam iniciadas, os novos mandatários da CBF, juntamente com os muitos personagens capacitados e honrados da comunidade do futebol saberão criar as condições para a reconstrução da credibilidade, confiança e retomada do protagonismo esportivo do futebol brasileiro, de seus jogadores, da alegria do jogo e, principalmente, dos torcedores.    

Abílio Diniz   Empresário                       

Alberto Helena Jr.   Jornalista Esportivo                       

Alcides Scaglia Doutor em Pedagogia do Esporte                       

Alex Souza Ex-Jogador, Comentarista e Líder do Bom Senso FC                       

Amir Somoggi Consultor de Marketing                       

Ana Lorena Marche Pesquisadora do Futebol – Universidade do Futebol             

Ana Moser Ex-Atleta e Presidente da Atletas pelo Brasil                       

Anderson Jogador de Futsal                       

André Kfouri Jornalista Esportivo                       

André Veras Ex-Atleta e Membro da Atletas pelo Brasil                       

Antero Greco Jornalista Esportivo                       

Antônio Carlos Almeida Braga – Braguinha Empresário                       

Antonio Prata Escritor e Colunista                       

Bernardinho Treinador de Vôlei e Membro da Atletas pelo Brasil                       

Bernardo Borges Buarque de Hollanda Pesquisador e Sociólogo                       

Bob Fernandes Jornalista                       

Bruninho Jogador de Vôlei                       

Bruno Gagliasso Ator                       

Carlinhos Neves Preparador Físico                       

Carlos Alberto Vieira Empresário                       

Carlos Bonow Ator                       

Carlos Moreira Jr. Diretor Executivo do Twitter                       

Carlos Roberto Jamil Cury Pesquisador do CNPq                       

Celso Grellet Executivo de Marketing                       

Chico Buarque Compositor e Escritor                       

Claudio Manoel Humorista                       

Claudio Weber Abramo Ex-Diretor Executivo e atual Conselheiro Transparência Brasil                       

Dan Stulbach Ator e Apresentador                       

Daniel Bortoleto Jornalista                       

Daniela Castro Diretora Executiva da Atletas pelo Brasil                       

Dida Jogador e Líder do Bom Senso FC                       

Domingos Meirelles Jornalista e Presidente da Associação Brasileira de Imprensa                       

Dorival Jr. Treinador                       

Eduardo Conde Tega CEO da Universidade do Futebol                       

Eduardo Tironi Jornalista Esportivo                       

Enrico Ambrogini Diretor Executivo Bom Senso FC                       

Falcão Jogador de Futsal                       

Faustão Apresentador                       

Fernando A Fleury Professor e Consultor de Marketing Esportivo                       

Fernando Baptista Diretor Jurídico Bom Senso FC                       

Fernando Calazans Jornalista                       

Fernando Meligeni Ex-Tenista e Apresentador                       

Fernando Prass Jogador e Líder do Bom Senso FC                       

Gilberto Silva Ex-Jogador e Líder do Bom Senso FC                       

Gregorio Duvivier Humorista                       

Guilherme Gomes Jornalista                       

Hélio de la Peña Humorista                       

Helio Paulo Ferraz Ex-Presidente do Flamengo                       

Heloísa Reis Socióloga                       

Ivo Herzog Diretor do Instituto Vladimir Herzog                       

Jô Soares Apresentador, Escritor e Diretor                       

João Batista Freire Doutor em Pedagogia do Esporte                       

João Carlos Assumpção Jornalista Esportivo                       

João Palomino Jornalista Esportivo                       

João Paulo Diniz Empresário                       

João Paulo Medina Presidente da Universidade do Futebol                       

José Luis Portella Coordenador do Estatuto do Torcedor e Colunista Lance!         

José Padilha Cineasta                       

José Paulo Cavalcanti Advogado                       

José Roberto Torero Cineasta                       

José Trajano Jornalista Esportivo                       

Juan Jogador e Líder do Bom Senso FC                       

Juan Pablo Sorín Ex-Jogador e Comentarista                       

Juca Kfouri Jornalista                       

Julio Zaguini Diretor do Google Brasil                       

Kelly Santos Ex-Atleta e Membro da Atletas pelo Brasil                       

Larissa Galatti Pesquisadora em Esporte                       

Leo Pasquali Ex-Atleta e Membro da Atletas pelo Brasil                       

Leonardo Sakamoto Jornalista

Lino Castellani      Doutor em Educação

Luciano Huck Apresentador                       

Lucio Flávio Jogador e Líder do Bom Senso FC                       

Luis Fernando Verissimo Escritor                       

Luiz Antônio Almeida Braga Empresário                       

Luiz Fernando Gomes Editor chefe do Lance!                       

Magic Paula Ex-Atleta e Membro da Atletas pelo Brasil                       

Marcelo Lomba Jogador e Líder do Bom Senso FC                       

Marcelo Tas Apresentador                       

Marcos Joaquim Advogado                       

Mariliz Pereira Jorge Colunista                       

Matinas Suzuki Jornalista                       

Mauricio Ex-Atleta e Membro da Atletas pelo Brasil                       

Mauro Beting Jornalista Esportivo                       

Mauro Cezar Pereira Jornalista Esportivo                    

Nelson Aerts Ex-Atleta e Diretor da Atletas pelo Brasil                       

Oscar Magrini Ator                       

Patricia Medrado Ex-Atleta e Diretor da Atletas pelo Brasil                       

Paulo André Jogador e Líder do Bom Senso FC                       

Paulo Autuori Treinador                       

Paulo Calçade Jornalista Esportivo                       

Pedro Daniel Profissional de Gestão Esportiva                       

Pelé                        

Priscila Ulbrich Marketing e Comunicação                       

PVC Jornalista Esportivo                       

Raí Ex-Jogador e Diretor da Atletas pelo Brasil                       

Renê Simões Treinador                       

Ricardo Berna Jogador e Líder do Bom Senso FC                       

Ricardo Borges Martins Diretor Executivo Bom Senso FC               

Ricardo Gomes  Treinador Botafogo         

Roberto Assaf Jornalista                       

Roberto Braga Pedagogo do Esporte – Universidade do Futebol                       

Roberto Volpato Jogador e Líder do Bom Senso FC                       

Rodolfo Mohr Diretor de Comunicação Bom Senso FC                       

Rodrigo Caetano Executivo de Futebol             

Rogério Ceni Ex-jogador          

Roque Junior Treinador                       

Serginho (Escadinha) Jogador de Vôlei                       

Silvio Meira Pesquisador                       

Thiago Lacerda Ator                       

Tiago Spliter Jogador Basquete                       

Tite Treinador                       

Toni Platão Músico                       

Tostão Colunista e Ex-Jogador                       

Ugo Giorgetti Cineasta                       

Vagner Mancini Treinador                       

Vinicius Jogador de Futsal                       

Vladir Lemos Jornalista Esportivo                       

Wagner Moura Ator                       

Waldomiro Ferreira Neto Editor de produção e Colunista do Lance!                  

Walter de Mattos Junior Fundador e editor do Lance!              

Walter Salles Cineasta         

Washington Olivetto Publicitário                       

Zé Mario Presidente da FBTF                       

Zico Ex-Jogador e Treinador                       

Zuza Homem de Mello Musicólogo e Jornalista


Uma bela homenagem a Rogério Ceni
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Abilio Diniz

O M1to saiu de cena. Pendurou as luvas.

Em uma festa muito bonita e bem organizada, Rogerio Ceni se despediu oficialmente dos gramados na última noite de sexta-feira para um Morumbi lotado por mais de 60 mil são paulinos.

Visivelmente emocionado, Rogério fez de tudo um pouco. Jogou no gol, na linha, cantou, tocou, discursou, mas principalmente, exalou seu coração verdadeiramente tricolor.

Foi interessante rever tantos jogadores que fizeram história pelo São Paulo novamente em campo. Tenho certeza que o são paulino que assistiu à partida fez uma viagem a um passado tão recente de glórias.

Rogério Ceni se despediu dos gramados com números impressionantes para um jogador. 1237 jogos com a camisa de um mesmo time, um feito pouco comum no futebol de hoje. 131 gols. Para um goleiro! 25 anos de vida dedicados ao São Paulo.

O torcedor são paulino foi um privilegiado de poder ter acompanhado tamanha entrega de um jogador.

Agora descanse Rogério. Curta seus filhos, sua família. Dê folga a seu corpo. Você merece.

Tenho certeza que em breve você estará de volta ao mundo do futebol.

Nós, são paulinos, apenas te agradecemos por tudo.


Na marca do pênalti
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Abilio Diniz

A ação fulminante da polícia americana contra a corrupção no futebol mundial criou uma oportunidade única de mudar o futebol brasileiro. Precisamos aproveitar essa chance, por mais difícil que seja a batalha.

 

Foi com esse senso de oportunidade que muitos amigos me procuraram para encabeçar uma chapa para concorrer à vaga aberta de vice-presidente da CBF e, a partir daí, chegar à presidência e promover, rapidamente, as mudanças nos estatutos e na governança que tornariam as reformas possíveis.

 

Fiquei honrado pelo apoio de pessoas e entidades tão relevantes, mas, além dos meus compromissos com as empresas onde atuo, não houve tempo hábil para seguir.

 

Continuo disposto a ajudar o nosso futebol a se livrar dessa prisão e torná-lo novamente uma fonte de alegria ao povo brasileiro. Só vamos conseguir isso com mudanças profundas na CBF e também na mentalidade dos dirigentes das federações e dos clubes.

 

Nossa luta continua.

 


SPFC terá 2016 difícil, mas melhor
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Abilio Diniz

Muito tem se falado sobre o meu papel no São Paulo. Que estou contratando técnico, escalando jogador. Não é nada disso. Estou simplesmente colaborando no que tinha me comprometido a colaborar: a profissionalização da gestão. Estou convicto que só assim nosso clube poderá se recuperar e retomar sua trajetória de campeão.

Coloquei todo o meu conhecimento em gestão, acumulado em décadas de trabalho, à disposição do presidente Leco e de sua diretoria. Como havia prometido, estou também viabilizando trabalhos de auditoria e consultoria com as melhores empresas do ramo, sempre com o objetivo de aprimorar a gestão.

A auditoria está sendo feita pela Price e analisará todos os contratos e dívidas do clube para que possamos ter um quadro real da situação financeira, que é dramática. Sem essa clareza, não se pode fazer uma boa gestão. A Price também vai apresentar propostas para a reestruturação da dívida, a elaboração de um Orçamento e o planejamento de fluxo de caixa para 2016.

Já a McKinsey está realizando uma consultoria para profissionalizar a gestão do futebol do São Paulo. Um dos focos principais é otimizar a ligação do time profissional com o time da base, do CT da Barra Funda com o CT de Cotia. O elenco do São Paulo em suas diferentes categorias é um dos maiores ativos do clube, e otimizar sua gestão é uma das principais alavancas para a retomada.

2015 foi um ano muito difícil para o São Paulo. Mas conseguimos duas coisas importantes: o fim da desastrosa gestão Aidar e a milagrosa classificação para a Libertadores.

Esses dois feitos trazem a esperança de que 2016 seja um ano melhor, já com os frutos dos trabalhos de auditoria e consultoria.

Mas não tenhamos ilusões. O time foi quase destruído pelo tsunami da gestão Aidar. Pelo menos, o tsunami passou. E o Leco abriu a porta para colaborarmos na promoção da profissionalização e da meritocracia. É por aí que estou ajudando.

Se essa nova gestão conseguir sanear o clube financeiramente em 2016, será uma conquista tão grande quanto um título de campeonato, que pavimentará o caminho para novas conquistas, dentro e fora do campo.


Milton Cruz salva o ano do São Paulo
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Abilio Diniz

 

Em um ano tão complicado politicamente como este pelo qual o São Paulo passou, conquistar uma vaga para a Libertadores é motivo para comemorar.

Parabéns ao Milton Cruz pelo trabalho e por salvar o ano do São Paulo. Pegou um time que vinha confuso taticamente depois da mudança de sistema de jogo pós-Osório e conseguiu conquistar uma classificação para a Libertadores, que, por muitas vezes, parecia improvável.

Taticamente Milton mostrou que é um grande técnico. Na partida de hoje, ele se preocupou com a classificação. Não importava se o time jogasse feio. Deixou Pato e Rogério no banco para mudar a tática, caso precisasse.

Carlinhos foi jogar no meio de campo e Thiago Mendes pela direita. Assim havia boa cobertura nas laterais. A escalação impediu o Goiás de jogar. Mesmo com uma defesa complicada e lenta como a de hoje, o time não correu nenhum risco.

Coube a Rogério, que entrou no fim do jogo, marcar um golaço em jogada individual para terminar a partida com a vitória e a classificação garantida.

É importante destacar também o fim das passagens de Luis Fabiano, Pato e Rogério Ceni pelo São Paulo.

Gostei de ver Luis e Rogério acompanhando o time mesmo sem condições de jogar. Ambos entenderam a importância deles para o time e foram à Goiânia.

Pato ficou no banco e nem precisou entrar. Mesmo assim, terminou o ano como artilheiro da temporada e com melhor avaliação do que quando chegou. Espero que dê sequência em sua carreira, porque é um grande jogador.

A Luis Fabiano aqui também fica o meu respeito. Não é qualquer jogador que marca 212 gols por um clube como o São Paulo. Cravou seu nome na história.

Quanto à Rogério Ceni, escreverei um texto exclusivo em breve.

Com o fim de um campeonato que, tecnicamente teve bons jogos e um nível técnico superior ao de outras edições, temos definido que ano que vem serão três paulistas na Libertadores (São Paulo, Corinthians e Palmeiras), além de Atlético e Grêmio. Promessa de muita rivalidade e grandes jogos. Parabéns a todos.

E que Joinville, Goiás, Avaí e, principalmente, o Vasco da Gama, aprendam com seus erros, se reciclem e utilizem a série B para retornarem melhores.


Palmeiras, campeão com justiça
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Abilio Diniz

Foi uma decisão emocionante, digna de uma final de campeonato.

O título da Copa do Brasil para o Palmeiras, com a vitória nos pênaltis, coroou o time que não abdicou de atacar desde o primeiro minuto de jogo para tentar reverter uma desvantagem razoável.

Se o Santos foi superior no primeiro jogo na Vila Belmiro, o Palmeiras dominou amplamente a partida em seu estádio e soube construir o placar se impondo sempre durante os noventa minutos.

Ao final da primeira partida, escrevi neste espaço que a disputa estava aberta e foi exatamente isso que aconteceu.

Não é fácil jogar uma final de campeonato saindo em desvantagem. Mas pareceu que o Palmeiras não se incomodava com isso. O time foi para cima do Santos, abriu 2 x 0, levou o gol que alimentou as chances do adversário e que poderia deixar o aspecto emocional favorecido para os lados do time da Baixada Santista, mas soube controlar os nervos e sair vitorioso da decisão por pênaltis.

Coube ao goleiro Fernando Prass ser o nome da partida. Além de fazer sua parte, defendendo uma cobrança santista, foi ele quem selou a conquista palmeirense batendo o pênalti que garantiu o título.

O futebol é pródigo em criar personagens. Ídolos e vilões se constroem a cada partida. Mas os jogos decisivos se encarregam de carimbar determinados nomes na história dos clubes.

Fernando Prass será um deles. Anos se passarão, mas a imagem do goleiro batendo o pênalti final e sendo abraçado pelos seus companheiros não é certamente das mais comuns e ficará gravada na memória do palmeirense.

Entre esses heróis, não esqueçamos de Dudu. Coube ao atacante marcar os dois importantes gols que garantiram ao Palmeiras a chance de seguir na briga pelo título.

Comemore, palmeirense. Em um ano de reformulação absoluta, conquistar um título da grandeza da Copa do Brasil não é das missões mais fáceis.


Parabéns, Neymar
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Abilio Diniz

Após oito anos, voltamos a ter um brasileiro concorrendo à Bola de Ouro da FIFA como melhor jogador. A indicação de Neymar para brigar com Messi e Cristiano Ronaldo pelo prêmio em 2015 é mais do que justa.

O ano de Neymar no Barcelona foi espetacular. O brasileiro conseguiu se destacar em uma equipe que tem simplesmente Messi como sua maior estrela e ainda Suarez, Iniesta e tantos outros craques.

Na Seleção Brasileira, então, o protagonismo de Neymar é tanto que chega a ser preocupante. Ele é hoje nosso único jogador fora de série e, na maioria das vezes, jogamos por e para ele.

Mas mesmo se viermos a ter o melhor jogador do mundo, o Dunga não pode jogar só em cima do Neymar. No dia em que ele não está inspirado, a seleção some. E mesmo que os outros jogadores não estejam a sua altura, é possível, e preciso, montar um esquema de jogo que não seja tão Neymar-dependente.

De toda maneira, foi com bastante satisfação que eu li a notícia de sua indicação. É um profissional dedicado, diferenciado, preocupado sempre com seu desempenho a ponto de ter levado consigo a Barcelona um preparador físico exclusivo.

Pude perceber todo esse desejo por evolução quando eu e minha família estivemos com ele em Barcelona e ficamos com a melhor das impressões.

Fico na torcida por ele, assim como pelo brasileiro Wendel Lira que concorre ao Prêmio Puskas pelo gol mais bonito da temporada.

Outra coisa preocupante a ser destacada é o triste fato de o Brasil ficar oito anos sem ter jogador indicado ao prêmio de melhor do mundo. O último havia sido Kaká, que venceu a disputa em 2007.

Isso demonstra que já passou da hora de procurarmos formar melhor nossos atletas. O chavão de que aqui “brotam talentos” não tem se confirmado como antes.

Estamos sendo ultrapassados por países que notadamente investiram para formar novas gerações de jogadores. Alemanha e Espanha são provas disso. É um trabalho de médio prazo, que começa a dar frutos em dez anos. Isso se chama planejamento, e, como tanta coisa, faz muita falta ao nosso futebol.

A melhor preparação dos atletas passa por uma qualificação maior de todos profissionais, de treinadores a dirigentes, que, em sua grande maioria, tem se mostrado incapazes de desenvolver o enorme potencial do esporte.

Essa deveria ser a grande preocupação daqueles que comandam nosso futebol. Infelizmente, não é.

O vexame da Seleção Brasileira na Copa do Mundo parecia um chamado à razão no nosso futebol. Mas não foi. Mais de um ano se passou e praticamente nada aconteceu, além das pesadíssimas acusações contra a cúpula da CBF.

Infelizmente, os dirigentes da CBF e também da maioria dos clubes não se mostraram à altura desse desafio de reorganizar o nosso futebol, num desrespeito absoluto com o povo brasileiro que ama tanto esse esporte.


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