Blog do Abilio Diniz

Arquivo : setembro 2015

O São Paulo avança
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Abilio Diniz

Participei na segunda-feira da reunião do Conselho Deliberativo do São Paulo e mais uma vez fui muito bem recebido. Queria agradecer o convite, a recepção e, acima de tudo, o enorme apoio dado não ao Abilio, mas à proposta de profissionalizar e moralizar a gestão.

Foi a paixão que me fez estar no Morumbi. Sou muito disciplinado com agenda, e tinha compromisso assumido meses atrás de abrir congresso de investidores em Nova York. Acabei falando ao Conselho tricolor 12 horas antes da palestra em NY. E o esforço valeu.

Saí da reunião mais feliz do que entrei. O apoio praticamente unânime dos conselheiros presentes à realização de uma auditoria séria e independente, que se reporte também ao Conselho Deliberativo, é um primeiro passo na dura caminhada para tornar o São Paulo exemplo no futebol brasileiro e mundial.

O São Paulo tem que mudar não apenas para retornar às glórias do passado, mas para viver um sonho grande de ser o clube mais eficiente e vitorioso do Brasil.

Não quero poder nenhum no São Paulo. Mas quero poder ajudar com o que aprendi na vida. E não foi pouco.

Estou lutando para que meus filhos tenham sempre orgulho do clube que decidiram amar. O São Paulo não pertence ao presidente de turno, mas sim aos sócios e torcedores da grande nação são-paulina. Nosso clube não pode ser tratado desse jeito.

A vitória da boa gestão nesta semana no Conselho é o primeiro passo do caminho. Entendo que é preciso andar mais rápido, dada a situação crítica do clube. Mas pelo menos começamos a andar.


Que pena, São Paulo
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Abilio Diniz

Que pena, Osório, que pena, Rodrigo Caio, Thiago Mendes, Carlinhos e todo o time do São Paulo. Que pena que hoje, Rogério Ceni, herói de tantas conquistas, tenha falhado e estragado uma bela atuação da equipe toda.

O São Paulo foi superior todo o tempo. Osório armou muito bem o time e desta vez, sem inventar, posicionou corretamente os jogadores. Carlinhos pelo meio, em um misto de meia e segundo volante, foi muito bem.

Depois do gol, Osório fez boas mexidas; reforçou o meio campo com a entrada de Lyanco, sem comprometer o contra-ataque. A entrada de Wilder no lugar de Michel Bastos, que saiu contundido, foi correta também. Perdemos em qualidade, mas ganhamos em velocidade e luta.

Só não gostei da entrada de Wesley. A ideia foi boa, colocando Carlinhos na sua posição de origem e reforçando ainda mais o meio campo, mas Wesley não atravessa boa fase.

Assim mesmo, tudo funcionava bem. O São Paulo não corria risco algum até que Rogério Ceni resolveu estragar a festa.

Mesmo assim, hoje gostei muito da atuação do time. Se Osório não receber o convite para ser técnico de uma seleção e se tiver tranquilidade para trabalhar, dá para sonhar com a vaga na Libertadores, quer seja pelo G4 ou pela Copa do Brasil.


São Paulo vai bem na Copa do Brasil
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Abilio Diniz

Mesmo sem fazer uma partida espetacular, o São Paulo jogou o suficiente para derrotar o Vasco, penúltimo colocado no Campeonato Brasileiro, por 3 a 0 no Morumbi e encaminhar a vaga para as semifinais da Copa do Brasil.

O principal destaque do jogo novamente foi Alexandre Pato, autor de dois gols. O atacante são paulino segue demonstrando ser dono de uma técnica apurada, além de comprovar a cada jogo sua ótima capacidade de finalização.

Com os jogadores em suas posições normais, o São Paulo dominou o jogo até os 20 minutos do segundo tempo e poderia ter feito até mais gols.

Depois, o time cansou. Ganso, que já não fazia boa partida, passou a andar em campo. Luis Fabiano saiu machucado e foi levado direto para o hospital. O resultado foi uma pressão do Vasco para cima do São Paulo.

Ainda assim, mesmo com 10 jogadores porque já tinha feito as três substituições, o São Paulo conseguiu se defender bem e garantir a vitória sem levar gols dentro de casa, fator muito importante na competição.

Com a missão quase cumprida na Copa do Brasil, agora é hora de virar a chave para o Campeonato Brasileiro. O confronto direto do próximo domingo contra o Palmeiras representa a chance de voltar ao G4.

Uma vitória no clássico será de fundamental importância para as pretensões tricolores.


São Paulo sai do G-4
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Abilio Diniz

O São Paulo tropeça nas próprias pernas. Gosto muito do técnico Osório. É um homem dedicado ao futebol, que foi iludido na sua contratação, mas está tentando honrar seu compromisso.

Reconheço muitas qualidades em suas ideias. Respeito seu conceito do rodízio, mas muitas vezes não entendo a lógica que está por trás dele. No dia de hoje foi assim.

Osório trocou quase todo o time, mas manteve os dois piores jogadores da partida contra a Chapecoense: Wesley e Carlinhos.

Wesley foi novamente horrível o jogo inteiro e Carlinhos, se ainda tentou alguma coisa no primeiro tempo, no segundo simplesmente não existiu. Para mim, Osório mexeu mal. Concordo com as entradas de Thiago Mendes e Pato e um pouco menos com a de Bruno, mas na realidade, o grande erro foi manter Wesley e Carlinhos. O meio campo, que já estava fraco antes do intervalo, deixou de existir na segunda etapa.

Quando se esperava que depois do empate o São Paulo fosse para cima em busca da vitória, o que se viu foi o contrário: o Tricolor parou e o Avaí ampliou para 2 a 1. Pobre São Paulo.

Neste fim de semana as coisas começaram a ficar mais claras. O Brasileirão está nas mãos de Corinthians e Atlético Mineiro. Grande vitória do time de Tite, que mostra cada vez mais a sua grande competência. Se o Corinthians de hoje é o que é, o grande responsável é seu técnico.

Por falar em treinador, grande recuperação do Atlético, muito bem dirigido por Levir Culpi. A equipe mineira matou o Flamengo.

Sempre gostei de prestar muita atenção nos técnicos; sou daqueles que acreditam que a tática pode fazer a diferença e que um bom treinador pode mudar uma equipe.

Querem outro exemplo? É só olhar para o Palmeiras de Marcelo Oliveira.


Jogo horrível no Morumbi
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Abilio Diniz

Como pode um time jogar tão bem uma partida como a de domingo contra o Grêmio fora de casa e se apresentar de maneira tão ruim como nesta quinta-feira no Morumbi?

O empate de 0 a 0 contra a Chapecoense é daqueles resultados que fazem diminuir as esperanças de classificação entre os quatro melhores do Campeonato Brasileiro.

Não me refiro ao número de pontos ou a classificação do time na tabela, porque o São Paulo somou mais um ponto e gravita no grupo dos times com chances de chegar à Libertadores. O que me preocupa é a oscilação do time dentro da competição.

Hoje o time sofreu com a falta de criatividade do meio de campo. Carlinhos e Wesley não conseguiram criar as jogadas e Pato, hoje irreconhecível, e Luis Fabiano pouco produziram.

As mexidas do técnico Osorio fizeram o time ganhar mais velocidade, mas ainda assim o time seguiu atuando de maneira desorganizada. As chegadas ao ataque adversário só aconteceram em algumas jogadas pelas beiradas do campo.

As poucas oportunidades de gols só poderiam resultar no placar em branco.


Carta ao presidente do São Paulo
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Abilio Diniz

Bom dia Carlos Miguel,

Agradeço a mensagem que você me enviou tentando explicar os motivos para demitir o CEO do São Paulo. Infelizmente, não acredito no que foi alegado. Como você já anunciou um novo CEO, eu e todos os são-paulinos esperamos que ele tenha a correção, o profissionalismo e a capacidade indispensáveis para mudar a gestão e evitar o colapso financeiro do clube. Todos nós que amamos o São Paulo vamos acompanhar com lupa o seu trabalho.

Da minha parte, quero seguir colaborando para evitar a destruição do clube. Como venho falando já faz algum tempo, minha preocupação mais urgente é com a situação financeira. É preciso antes de tudo ter clareza do que se passa nessa área. Nas últimas semanas, houve muita confusão, com números contraditórios sendo divulgados por você, especialmente em relação às dívidas e ao caixa do São Paulo.

Não podemos viver da antecipação dos recursos previstos para os próximos anos, pois assim estaremos comprometendo também o futuro do São Paulo e perpetuando essa crise.

Gostei muito quando você prometeu contratar uma das quatro grandes firmas de auditoria do mercado para fazer um diagnóstico preciso da situação financeira do clube. Pois bem, diante da gravidade e da urgência da situação, e atendendo a seus pedidos recorrentes para que eu aporte recursos, ofereço financiar a contratação imediata da PriceWaterhouseCoopers, uma das quatro grandes auditorias defendidas por você.

A PWC pode fazer de maneira imediata e isenta um levantamento completo e indispensável da situação financeira, com acompanhamento e previsão do fluxo de caixa para os próximos meses e análise de todos os contratos do clube. Essa auditoria deve se reportar diretamente à Diretoria e ao Conselho Deliberativo, na pessoa de seu presidente, uma vez que o Conselho é o órgão máximo do SPFC, segundo o próprio organograma que você apresentou em seu plano de profissionalização.

Como venho dizendo sempre, este é o momento de união no São Paulo para que nosso clube possa sair da maior crise de sua história recente e recuperar suas glórias de time pioneiro e inovador.

O primeiro passo nessa caminhada é a transparência sobre a real situação, com um diagnóstico claro para o Conselho Deliberativo e a Diretoria.

Peço a você, portanto, que marque uma reunião entre o novo CEO, a PWC e o presidente do Conselho Deliberativo o mais rapidamente possível para que seja definido o escopo do trabalho.

Encaminharei contato na PWC que poderá lhe ajudar.

Carlos Miguel, é fundamental que você torne transparente a gestão do São Paulo e divida com o Conselho Deliberativo suas decisões neste momento difícil. Em nome dessa transparência, estou encaminhando cópia desta carta aos membros do Conselho Deliberativo e do Conselho Consultivo, bem como dando divulgação para o conhecimento dos sócios e torcedores do São Paulo.

Um abraço,

Abilio Diniz

Tags : SPFC


São Paulo mostra que pode se recuperar
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Abilio Diniz

Deu gosto ver o São Paulo vencer o Grêmio por 2 a 1 jogando fora de casa. Esse é o Tricolor que todos nós queremos. Um time corajoso, impondo seu ritmo, não dando grandes chances a um adversário que estava invicto atuando em seu estádio no Campeonato Brasileiro.

Uma derrota para o bom time do Grêmio, terceiro colocado na tabela, não seria nenhum absurdo. Mas o São Paulo foi para cima, buscou a vitória desde o começo e criou várias chances até marcar com Alexandre Pato, em mais um belo gol do artilheiro.

Pato parece estar reencontrando as boas atuações de sua carreira. É um jogador de categoria que se destaca dos demais. Tomara siga assim. Com ele bem, aumentam as chances de o São Paulo terminar o campeonato entre os quatro melhores.

Mérito também do Osorio, que montou um time bem colocado e objetivo, que trocou passes com mais eficiência, manteve a calma e a posse de bola na casa do adversário e aproveitou bem os contra-ataques para marcar o segundo gol numa boa escapada do Rogério.

Foi um jogo aberto, bom de ver, com a bola rolando e as duas equipes interessadas em jogar futebol. Conseguimos uma boa recuperação poucos dias depois da derrota para o Santos por 3 a 0. Osorio e os jogadores reverteram uma situação ruim em prazo curto, e isso é um bom sinal.

Se o São Paulo entrar sempre com esse espírito será muito competitivo e pode pelo menos sonhar com a vaga no G-4.

Usar os exemplos positivos deste jogo é o caminho para que o Tricolor consiga buscar a regularidade de bons resultados que o torcedor tanto espera.


São Paulo é goleado por seus próprios erros
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Abilio Diniz

Venho escrevendo há tempos nesse espaço: enquanto o São Paulo não mantiver uma regularidade de atuações dentro e fora do Morumbi, vai ser muito difícil conquistar pelo menos uma vaga na Libertadores do ano que vem.

Ontem à noite na derrota por 3 a 0, fomos completamente envolvidos pelo Santos. O técnico Dorival Jr. anulou um time são-paulino que se mostrou ofensivo apenas na escalação.

O Tricolor se mostrou inoperante no ataque e limitadíssimo em sua defesa. O Osório traz boas ideias, mas muitas vezes é excessivamente alternativo e arrisca demais. A formação do primeiro tempo foi um erro. Não dá para jogar assim contra um time veloz e em momento muito bom como o Santos.

Na saída para o intervalo já era possível perceber que a derrota seria certa. Da maneira como o placar de 2 a 0 foi tranquilamente construído no primeiro tempo, com o time mal distribuído em campo e com graves falhas técnicas e de posicionamento dos jogadores, era nítido que apenas uma circunstância anormal mudaria o panorama do jogo.

E isso não aconteceu. Pior, o Santos marcou rapidamente seu terceiro gol e aniquilou qualquer possibilidade de reação.

Fica a sensação para o torcedor que não é difícil fazer gol no São Paulo. Se o ataque adversário estiver em uma noite minimamente eficiente, sofreremos pelo menos um gol. Aí caberá ao nosso ataque resolver o problema. E quando o sistema ofensivo não trabalha bem, dá no que deu: derrota.

Faltou quantidade e, principalmente qualidade na definição do elenco para a disputa do Campeonato Brasileiro. Não se pode perder oito jogadores no meio da competição. O pior é que todo o desmonte que foi feito do time não trouxe nenhum benefício estrutural nas contas do clube, que seguem precárias e assim seguirão sem uma profissionalização de verdade da gestão do clube.

Fica cada vez mais claro como uma má gestão administrativa é capaz de influenciar no desempenho dentro do campo.

Sobra agora para o técnico Osório e os jogadores juntarem os cacos e renderem todos muito mais no próximo domingo contra o forte Grêmio.

É mais um jogo fora de casa. Que tipo de São Paulo veremos?


Hora de agir no São Paulo
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Abilio Diniz

Fiquei feliz ao ver o presidente Carlos Miguel Aidar anunciar na sexta-feira um plano para promover a profissionalização e a transparência na gestão do São Paulo. Todo o trabalho feito por mim e muitos outros no Conselho Consultivo e no Conselho Deliberativo teve efeito.

Somos a favor de todo movimento efetivo em direção à profissionalização. Por isso, apoiamos a declaração de intenções feita na sexta-feira. Ela segue a linha do que defendemos para o São Paulo sair dessa crise aguda e voltar a ser exemplo no futebol brasileiro.

Mas a profissionalização vem sendo prometida desde o ano passado. Chegou a hora de as coisas acontecerem.

Não é possível uma organização como o SPFC, com receitas da ordem de R$ 220 milhões por ano e uma dívida explosiva que pode inviabilizar seu futuro, ser gerida de forma não profissional como é hoje.

Aliás, o fato de se anunciar uma dívida diferente da que consta no balanço revela o tamanho do perigo. Aidar prometeu chamar uma das quatro grandes empresas de auditoria atuantes no Brasil para examinar a situação do clube. Isso é fundamental e precisa ser feito com rapidez.

Qualquer uma dessas empresas consegue em poucos dias de trabalho determinar a situação da dívida e o fluxo de caixa até o fim do ano. Sem isso, o voo será cego e perigoso.

Pelas informações disponíveis, o São Paulo só conseguirá honrar seus compromissos se seguir pedalando sua dívida, antecipando receitas e obtendo recursos extraordinários com a venda de jogadores ou grandes bilheterias. E se isso não acontecer? Não dá para gerir o SPFC contando com a sorte e empurrando os problemas para frente. É preciso planejamento e execução.

O Organograma apresentado mostra o Conselho Deliberativo como instância máxima, o que é um avanço. O Conselho representa os verdadeiros donos do São Paulo, e sua responsabilidade neste momento é fundamental.

Uma auditoria bem-feita deve esclarecer uma série de dúvidas que não foram respondidas, entre as quais:

1 – Como a dívida do SPFC, antes estimada em R$ 270 milhões, caiu para R$ 137 milhões?

2 – Por que alguns vice-presidentes, muitas vezes sem experiência na área que comandam, manterão o poder e ficarão acima dos profissionais que serão contratados para tocar departamentos fundamentais como marketing e finanças?

3 – Como o São Paulo vai aumentar receitas, diminuir despesas e resolver os problemas do déficit mensal e do endividamento?

A previsão para este ano é de prejuízo perto de R$ 100 milhões, segundo o Instituto Áquila. Sem respostas objetivas, sem transparência e sem profissionais capacitados nas suas áreas será impossível levantar os recursos para colocar o Tricolor nos trilhos e na liderança do futebol.

Apesar de declarações na direção certa, está tudo ainda muito confuso. Apoiaremos o que a atual diretoria fizer pelo bem do São Paulo e continuaremos pressionando pelas mudanças urgentes, oferecendo nossa experiência.

Já se falou muito sobre a crise são-paulina. Não há mais tempo a perder. É preciso começar a fazer.

Eu e todos os são-paulinos estaremos de olho, marcando juntos, para que o nosso São Paulo seja gerido pelos profissionais que a crise exige, dentro das melhores práticas.

Só assim voltaremos a ser um clube pioneiro e exemplar, que dá muitas alegrias a seus torcedores e associados.

 


Guto Ferreira sobre metodologia de trabalho: “Não é receita de bolo”
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Abilio Diniz

Nesta última parte da minha conversa com Guto Ferreira, um dos destaques da nova geração de treinadores, falamos sobre as diferenças entre o futebol europeu e o brasileiro. Não só dentro de campo, mas também fora dele.

Tenho conversado com muitos jogadores da seleção brasileira que atuam na Europa e, nos relatos que ouço, é praticamente unânime que existem grandes diferenças na metodologia de trabalho.

Guto reconhece que é preciso evoluir taticamente, mas sem deixar de privilegiar o diferencial técnico que o jogador brasileiro possui em sua essência.

Outra grande diferença apontada por ele é o calendário europeu com menos partidas do que o brasileiro. Mais treinamentos permitem maior repetição e evolução na parte tática: “Na Europa, há pelo menos duas semanas cheias (sem jogos) para se treinar em cada mês”, disse.

Veja nesse último trecho da entrevista algumas ideias e exemplos práticos do que pode ser feito para que o futebol brasileiro consiga evoluir taticamente, segundo Guto Ferreira.